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"Como honrar à altura
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[Contra-Capa]

POBRE FOLCLORE

Mesmo que antigo, primitivo e primário, mas raízes vivas do que somos!
(Por: Joseh Pereira – 01/08/2016)

Mexer com sinais folclóricos da nossa história individual, familiar e social nos faz encontrar um balaio de coisas, das quais, hoje, em plena era do conhecimento e da informação explícita, não faltam motivos para algum estranhamento. Mas nós, pessoalmente ou mediante nossos pais, avós e bisavós, primordialmente, podemos ter estado lá a viver cada detalhe (inusitado ou não) de uma longa e imensa tradição rigorosamente oral, a qual, ao longo de anos e até séculos, vinha e/ou ainda vem sendo transmitido em maior ou menor pureza entre as mais diferentes gerações. São as marcas de um processo cultural, caracterizado pelas expressões “fulano dizia isto”, “sicrano fazia aquilo”, com pouca coisa escrita ou documentos a orientar as condutas, tanto do sujeito quanto do objeto desta cultura. Notem que o Folclore (folk = gente; lore = saber) admite o sincretismo, a infiltração de elementos de outras áreas do próprio folclore ou fora dele, influenciando umas às outras, pois, sempre indiferente à lógica, dispensa qualquer elaboração a ponto de, como lhe é próprio, não cuidar nem do seu umbigo, ou seja, da sua identificação com objetivos de se proteger. Todos os nossos costumes, típicos da nossa gente, ainda que influenciados por conhecimentos ou estudos mais apurados, fazem parte do folclore, de um jeito ou de outro, acabamos nos guiando por crenças, lendas, provérbios, manifestações artísticas em geral, preservados sobretudo por meio da tradição oral. E isto se chama estar de certa forma sob influência folclórica, por mais que isto nos possa parecer depreciativo. Assim, sempre nos sentimos em mãos de duas vertentes a nos balançar o que, aliás, é muito bom. Uma vem de pesquisas e experiências para demonstrar hipóteses, com conclusões bem cuidadas para usos posteriores, constituindo o lado científico da vida, outra vertente se assenta nos desejos e gostos, das interpretações de lendas, contos, provérbios, canções, danças, artesanato, jogos, manifestações de religiosidade, brincadeiras infantis, mitos, adivinhações, festas e outras atividades culturais que nascem e se desenvolvem com o povo e para o povo, criando um contexto específico a se cristalizar em nossas mentes e condutas, nitidamente folclórico ou, ao fundo, com suas raízes e sementes. Folclore é imaginação que se torna cultura popular, ganha vida e corpo próprios, quase sempre sem autor definido e de domínio público. Seus símbolos, como vemos em nossa ilustração (foto ao lado), representam seres fectícios, mas baseados na Natureza, com seus elementos manuseáveis. No caso em tela, a demonstrar sua natural aerodinâmica, uma bela cegonha do nosso reino animal, em nenhum momento responsável por trazer irmãozinho de crianças com quem todos nos divertimos, obviamente, lançando mão da própria imaginação infantil, muito receptiva. A alma de um povo reside no folclore da gente. Daí, por que não se reconhecer por inteiro o seu eminente papel lúdico-cultural?!
Voltando ao assunto, ocorre-me perguntar se o folclore ainda encontra espaço em plena era da tecnologia e da informação, cada vez mais ao alcance do cidadão. Sim, é verdade! Em ambiente como o atual, com tanta informação disponível chegando literalmente de cima para baixo (dos satélites), ao contrário de um ambiente que se nutria de si mesmo, basicamente a partir da transmissão oral e autodidata entre gerações, reviver um folclore, como era em tempos idos e afastados dos grandes centros urbanos, não penso nem quero! As religiões, que faziam o melhor elo de ligação com as áreas externas da civilização, careciam de muito mais racionalidade, eis que para primitivos, primitivas também, não que fossem necessariamente más, pois, admitamos, cada coisa em seu devido tempo. Muitas verdades, aliás, que a Ciência veio a confirmar depois, foram antecipadas sem, porém, serem demonstradas por alguma atividade do nosso folclore, com uma religião a influenciá-lo, a oficial ou outra das nossas mitologias. Por tratar-se de crônica, fica bem o uso da primeira pessoa. Assim sendo, eu nasci em 1941, em lugar não muito ido e afastado, a apenas 50 quilômetros do marco zero da capital paulista, mas a roda já inventada, talvez, fosse ainda meio quadrada, não encurtando como devia as distâncias físicas e reais, existentes. Estamos, pois, nos anos de 1950 (lembram da época), na transição da minha infância para a adolescência, em região rural com famílias dos ramos materno e paterno, sendo raras as de outras origens. Meu pai queria que lêssemos muito e nós gostávamos. Ele assinava um jornal semanário, que líamos sempre o mais cedo possível e recebíamos também pelo Correio um excelente anuário da mesma editora, sendo as nossas únicas fontes convencionais de informação, não havia rádio nem televisão. Como estamos falando de folclore, eu tinha um tio rezador, que organizou, numa noite tensa da Semana Santa, véspera da morte do Sr. Jesus Cristo, uma procissão muito curiosa, com paradas e muita cantoria em cada encruzilhada (caminhos formam cruzes), uma caminhada com início ao escurecer para se encerrar em cima da meia-noite, quando as pessoas se cumprimentam e se dispersam, indo cada uma para suas casas. Numa dessas, lá estava eu, querendo demonstrar minha sociabilidade. Já madrugada, pronto para voltar sozinho por pequenas estradas e caminhos, eis meu único medo, o de uma onça jaguatirica que diziam andar por lá pelas nossas florestas, em sua maioria, não mais virginais ou intocadas. Mulas sem cabeça e alma penada pelo caminho, eu não pensava, já nasci com DNA contra superstições. Um assaltante ou bandido, simplesmente, fora de cogitação. Dia seguinte, dando “Bom Dia” às pessoas, eu chego em casa, tendo vivido pessoalmente uma experiência, a qualquer tempo, considerada folclórica. Entretanto, ainda falta abordar mais alguma contribuição de que goza ou obstrução que sofre o folclore brasileiro. Vai interessar ou Você acha, mesmo, que folclore não lhe diz respeito?!
Quanto à sua história, o folclore teria nascido de 1780 a 1840 na Alemanha, quando estudiosos ao realizarem pesquisas sobre a poesia alemã, detectaram uma vertente cultural popular, oposta à forma erudita, esta vinculada às elites e instituições oficiais. Já com o nome “Folclore”, a matéria passa a ser uma obrigação escolar, compreendendo formas literárias, musicais e artísticas, estritamente populares, conquistando seu espaço e autonomia. Com o crescimento da vida urbana, o folclore não arrefeceu como se esperava, mas se reforçou, vindo a integrar o nosso nacionalismo. Na sociedade contemporânea, o folclore faz parte das Ciências Sociais e Humanas, estando seu estudo baseado na metodologia própria dessas ciências. Diz o antropólogo francês Arnold Van Gennep, que o folclore não é, como se pensa, uma simples coleção de fatos mais ou menos curiosos e divertidos, mas muito mais. Aliás, para se determinar um fato folclórico, conforme a UNESCO, há até uma tabelinha, devendo apresentar estes atributos: ser tradicional, dinâmico, funcional e, coletivamente, aceito. O anonimato, um bom indicador da autenticidade, não é obrigatório, como acontece com a literatura de cordel brasileira, cultura popular e autor declarado. Também quase obrigatória é a espontaneidade para que o fato seja folclórico, porém, estes últimos critérios andam muito prejudicados. E, por falar em aspectos desfavoráveis ao folclore, lembramos dos maus pedaços vividos por cantigas de roda como a que diz “atirei o pau no gato tô”, que divertiam as crianças e figuras como a do Saci Pererê, que vêm sendo censuradas por um policiamento besta da linguagem e dos costumes humanos consagrados da nossa população. A falta de um bom senso e respeito para com o patrimônio cultural de um povo é tanta, que já fizeram movimentos para proibir nas escolas o grande Monteiro Lobato, apesar das suas reconhecidas contribuições ao folclore brasileiro com sua fabulosa literatura infantil! No Brasil, nos anos das tragédias públicas fundados em 2003 (com a posse do Brahma), até cargas contra definições de dicionários houve, com sugestões de recolhimento de edições inteiras do mercado, como se tais obras pudessem ser deformadoras do carácter, por suas eventuais ideologias e partidarismos! Eis, pois, pequenos exemplos dos verdadeiros atentados à nossa cultura como um todo, que gente vagabunda! E não é?! Todavia, vamos ter de encerrar o texto, não sem antes conclamar a todos para que não deixem o folclore morrer! Por sua evidente importância na identificação da nação ou da população unida pelo mesmo sentir, na simplicidade de cada viver! Que a tecnicidade necessária dos tempos atuais não fragilize o folclore brasileiro! Afinal, já avaliou o quanto estamos impregnados (embora não se perceba a devida proporção) da natureza folclórica?!


PS – Todo ano tem um 22 de agosto, Dia do Folclore. E nós aqui a render singela homenagem à mais pura de todas as culturas do país em que vivemos. Caso esteja a ler pela Internet, vá ao Google e procure por “Frases sobre folclore”, mas abra “Imagens”, Você vai aprender, vai se familiarizar, enfim, vai se deliciar com tudo o que se refere ao nosso prazeroso folclore da nossa terra! Não perca, Você irá ficar por longas horas e agradecer por tanta beleza! Valeu ou não vir até este lugar para conhecer melhor uma cultura, a mais virginal entre todas e sem pecado, concebida?!

MBT – Ano XVII: “Medo de Voar (01), “Mundo da Lua” (02), “Brasas nos Seios” (03), “Pombo Correio” (04), “Quarto Poder” (05), “Gostar de Amar” (06), “Caridade Afirmativa” (07), “Pobre Folclore” (08), “Minha Secretária” (09), “Lembram do Mestre” (10), “Distância da Soberba” (11) e “Curva da Espiral” (12), Agenda 2016 (programação).

. Ver em: [ RECEPÇÃO ] – Todos os Títulos Já Publicados.
Apresentação do Blog como produto, no Post: [Turismo Interno] – Sinta-se em casa!

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