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[Contra-Capa]

LÍNGUA PORTUGUESA

Chuva “para” São Paulo: cidade já arruinada ou alegre anúncio?
(Por: Joseh Pereira – 01/02/2019) – Reeditado

Sei que podem me julgar um hipócrita aqueles que me conhecem como incansável defensor do maior instrumento cultural de uma Nação, o Idioma Vernáculo, porém, estarei não mais que a realçar minha posição de sempre quando aponto alguns abusos ou aberrações praticados pela última Reforma Ortográfica da Língua Portuguesa já em vigor, cujos pretextos acadêmicos não justificam as várias mudanças nas quais o bom senso e a lógica não foram respeitados. A bronca procedente do Editor do Blog é legitima, em relação a dois pontos da Reforma Ortográfica, mais especificamente, quanto às novas regras do hífen e à supressão em vários casos do acento diferencial. Quanto ao hífen, entre um prefixo e o substantivo, encontrei nas minhas pesquisas uma orientação bem sucinta, em que se deve observar as letras, última antes do hífen e primeira, depois: Se iguais, separam-se (“micro-ondas”, “supra-auricular”), quando diferentes, atraem-se (“autoescola”, “semicírculo”). Neste caso, o gramático faz uso de um princípio similar ao da eletricidade em que os contrários (positivo e negativo) se atraem, sendo, aliás, a razão da descarga elétrica, como na sua forma violenta os raios numa tempestade, a juntar e equilibrar energias. Uma simplificação de regra que, nós observamos, não passou sob o crivo doentio do “politicamente correto”, grupo que, com sua mania de “ver chifres na cabeça de cavalo”, teria considerado homofóbica por ser antipática à homossexualidade a didática de um competente professor. Continuando no uso do hífen, nós discordamos, não adotando: “subemprego”, “subchefe”, “subprefeito” porque se o prefixo for “vice”, sempre se aplicará o hífen (“vice-presidente”, “vice-governador”). Hífen de novo se “r” depois de “sub” e, sempre, com os prefixos “circum” e “pan”, além de termos de apagar um hífen e pôr “r” ou “s” em casos como: “contrarregra”, “contrassenso”, antissocial”. A reforma toda um contra-senso, portanto, em minha gramática, no hífen não se mexe! Outra restrição nossa diz respeito ao Acento Diferencial, cuja nova regra se contradiz, obrigando-nos ao acento diferencial em “pôr” (verbo) para distinguir da preposição “por”, perfeito paradigma logo negado no caso de “para” (preposição) e “pára” (verbo), em que suprimem o acento gráfico, deixando confuso o texto, como o acima exposto no sub-título, extraído de uma manchete. Das supressões do Acento Diferencial, de todos os casos, este o mais grave, considerada a existência da justificativa anterior, perfeitamente abrangente ao caso posterior, no entanto, não o contempla. Uma outra medida da Reforma que terei prazer em desconhecer! É de dar engulho a implacável perda de acentos (clareza, objetividade) da Nova Reforma em tantos vocábulos, como: 904 paroxítonos com ditongos “oi” e “ei” (“boia”, “ideia”); 358 com trema (“frequente”); 32 com “u” e “i” tônicos após ditongo (“feiura”); 22 com acento diferencial (“para”, verbo) e 18 com o hiato “oo” (“voo”, “enjoo”), tudo por nada, além de dúvidas! Incrível, até sobre o Acento Diferencial em “dúvida” (substantivo) vs. “duvida” (verbo), existem consultas. É infinita a confusão implantada?! Com que benefício ou vantagem no saldo positivo?!
Assim demonstrado, de modo inequívoco, podemos classificar a atual Reforma Ortográfica como deveras infeliz, desnecessária e prejudicial a lusófonos como nós, zelosos defensores do maior patrimônio cultural brasileiro. Todavia, para não dizerem que não falamos de flores, vejam como fala Olavo Bilac, com todo o esplendor e autoridade, mais explícito impossível, da “Última flor do Lácio, inculta e bela”, a [Língua Portuguesa], em clássico soneto por nós, modestamente, comentado. Após a leitura de Bilac, outras flores, verdadeiras pérolas lavradas com base no Vernáculo, sintam o aroma, suguem, mastiguem: – “Tem gente que soma quando some, sai para fazer falta, mas faz um favor” (Anônimo); “Procura, erecto, olhar para a luz ou verás as sombras, não a luz” (cf. provérbio chinês); “Com as lágrimas do tempo / E a cal do meu dia / Eu fiz o cimento / Da minha poesia” (Vinícius de Morais). Ainda, de igual teor, seguem de pequena coletânea nossa, dois Sonetos, um lusitano e outro, brasileiro. Primeiro, Luís de Camões, MUDANÇA (título nosso): – “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, / Muda-se o ser, muda-se a confiança; / Todo o mundo é composto de mudança, / Tomando sempre novas qualidades. // Continuamente vemos novidades, / Diferentes em tudo da esperança; / Do mal ficam as mágoas na lembrança / E do bem, se algum houve, as saudades. // O tempo cobre o chão de verde manto, / Que já coberto foi de neve fria / E em mim converte em choro o doce canto. // E, afora este mudar-se cada dia, / Outra mudança faz de mor (=maior) espanto: / Que não se muda já como soía (=costumava). Depois, Vinícius de Morais, SONETO DA FIDELIDADE: – “De tudo, ao meu amor serei atento / Antes e com tal zelo e sempre e tanto / Que mesmo em face do maior encanto / Dele se encante mais meu pensamento. // Quero vivê-lo em cada vão momento / E em louvor hei de espalhar meu canto / E rir meu riso e derramar meu pranto / Ao seu pesar ou seu contentamento. // E assim, quando mais tarde me procure / Quem sabe a morte, angústia de quem vive / Quem sabe a solidão, fim de quem ama // Eu possa me dizer do amor (que tive): / Que não seja imortal, posto que é chama / Mas que seja infinito enquanto dure”. Eis, aí, uma pequena amostra do imenso poder da Língua Portuguesa. Mas, voltando aos espinhos da roseira, lamentamos a exiguidade de espaço no Blog, em que gostaríamos de enumerar escritores, professores e catedráticos de Linguística, muitos deles em coro conosco nas queixas e críticas contra a atual Reforma Ortográfica, infelizmente, desde janeiro de 2016 em pleno vigor, apesar dos evidentes custos financeiros e prejuízos pedagógicos. Nove os países (entre eles, Brasil e Portugal) de quatro continentes adotam a Língua Portuguesa como idioma oficial. Que vontade de mantermos nossos velhos mestres, cujos livros ainda estão guardados, na cabeça e nos corações. Por falar neles, tenham sempre na sua conta a lição do mestre e filólogo, Napoleão Mendes de Almeida: – “Conhecer a Língua Portuguesa não é privilégio de gramáticos, senão de todo brasileiro que preza sua nacionalidade, é erro de consequências imprevisíveis acreditar que só os escritores profissionais têm a obrigação de saber escrever, saber escrever a própria Língua faz parte dos deveres cívicos”. Oh! Quanta saudade também do Prof. Eduardo Carlos Pereira, com sua Gramática Expositiva, a elementar e a superior de Língua Portuguesa, igualmente saudoso o nome de Antônio Bandeira Trajano, matemático por excelência, a quem muito devem a nossa infância e adolescência. Linguística e Matemática, não parece, mas andam juntas, confundem-se. Enfim, apesar do violento vendaval dos insensatos, tratado frequentemente no Blog, pelos esforços dos seus filhos, todos nós, não haverá de faltar solo fértil, onde possa crescer cheia de encanto nossa Língua Materna, no dizer de Olavo Bilac, a “Última flor do Lácio”. E que flor! Já pensou em ser seu jardineiro?! Um convicto protetor?!


PS – Um texto de fato primoroso e impecável, caso atentem para a sua essência, sem desperdiçar forma e conteúdo. Estamos diante de importante Crônica meta-linguística, quer dizer, a defesa da Língua Portuguesa, utilizando seus próprios recursos. Entretanto, logo nos perguntamos. Quantas vezes haveremos de bater na mesma tecla, pela defesa de textos em Vernáculo com maior unidade e padrão, sem muitos desvios, sobretudo, na forma escrita em que um pouco mais de atenção se recomenda, seja qual for o meio virtual ou físico da nossa comunicação. Em nosso caso específico, diante de tais exigências ortográficas que, na realidade, de “orto” mesmo muito pouco possuem, nós proclamamos alto e bom som que não faremos esforço algum para cumprir ao menos dois aspectos da Reforma, no que se refere ao Hífen e ao Acento Diferencial. Aliás, quanto ao segundo item, caso excluíssemos o Acento Gráfico da frase sábia e bem humorada do cantor jamaicano, ao dizer: “A vida é para quem topa qualquer parada, não para quem pára em qualquer topada” (Robert N. Marley), quanto tempo gastaríamos para distinguir verbo de preposição?! Trata-se, perante a tanta “frescura explícita”, de uma Reforma Ortográfica para ser acatada ou contestada?! Ou, brincando para nos aliviar, acata-a contestando ou, ainda, contesta-a acatando?! Qual grupo o seu?!

MBT – Ano XX (2019): Originário de 01/06/2013, um texto em reprise com vida nova!

. Ver em: [ RECEPÇÃO ] – Todos os Títulos Já Publicados.
Apresentação do Blog como produto, no Post: [Turismo Interno] – Sinta-se em casa!

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