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"Sabe o Blog que corpos humanos, templos do Espírito!"
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Intensas lidas. /
Letras recendem, /
Luzes acendem, /
Eis que desprendem /
Sombras temidas!



Doar Sangue, Um Gesto Simples e Gesto Nobre
Gotas de Vida!

Voto Distrital
Voto Distrital

"Como honrar à altura
o Corpo Humano:
associando-o a Deus
e à Natureza!"

(Jhosa)

[Contra-Capa]

FRAGMENTOS

Um pequeno diário me punha a pensar em prosa e versos.


Dedicam-se presentes fragmentos
A náufragos, emergentes e flutuantes
E a nós todos, rede humana, navegantes
Ora, dominantes, mais agentes, emitimos,
Ora, dominados, mais pacientes, nós ouvimos
Ruminantes, remastigamos, arranjamos
Pitadas – até pérolas – filtradas, peneiradas
De numerosos vãos e desvãos do nosso viver
Donde trazemos o tudo que é quase nada
Um quase tudo, porém, quase nada
Que em tudo, em seu espaço e tempo
É, está, sentimos; vemos, antevemos, pressentimos
A tantos quantos que mergulham
A outros tantos que naufragam
E a outros mais, acreditamos, muito mais
Que emergem, flutuam, navegam… E vão.

:: O animal, no sentido primitivo e selvagem, é a origem intermediária do homem. E o homem, gradativamente, foi se desanimalizando, ou seja, caminhou na direção da civilidade, com todas as implicações e benefícios de uma Civilização, o oposto do estado primitivo, selvagem e rudimentar.

:: Sob a linguagem da Evidência, a CIÊNCIA objetiva demonstrar e elucidar dados coletados, tornando-os irrefutáveis; sob a linguagem da Abstração, a FILOSOFIA objetiva aprofundar e racionalizar dados coletados, ao nível do relativismo metafísico da realidade; sob a linguagem da Metáfora, a RELIGIÃO objetiva filiar e subordinar o homem a um Ser Supremo, considerado seu Criador e Soberano universal; sob a linguagem da Forma, a ARTE objetiva harmonizar os contornos e coloridos para produzir sensação agradável ao espírito, de efeito estético e sublime.

:: Familiares entre si, a IDEIA, opondo-se à IDEOLOGIA, é um modelo, eterno ou muito durável e perfeito do que existe ou do que é; baseia-se na razão, é puro, não muda, é essencial e definidor, universal e abrangente; é próprio de quem transmite um conhecimento. Já a IDEOLOGIA é grupal ou social, constitui um modelo de caráter doutrinário, relacionado a desejos, sensações e crenças, daí, ser frágil e efêmero (ou seja, conceitual) e particular, sem perder seu sentido básico da coletividade; é próprio de quem modela outrem, segundo o que ele é, pensa ou quer, em outras palavras, para fazer cabeças, quebrar paradigmas e transformar consciências. Assim, das duas formas de visão, há um navegar nem sempre cômodo ou muito confortável entre as áreas das exatas e das humanas. Seria, talvez, um convite aos humanos para que sejam mais exatos? Quem sabe?!

:: Da Formação da Personalidade. O ID (individualidade), o meu eu impulsivo, instintivo; o EGO (personalidade), o meu significado, o que eu acho que significo para uma realidade, o eu possível, refletido do SuperEgo, do inevitável confronto com o Id. Constituem, Id e Ego, a Psique, o abrigo da Alma. O SUPEREGO (ambiente), o meu eu restritivo, limitador da atividade do Ego e do Id, ao nível da consciência social e moral.

:: Um homem, não adianta negar, são sempre três em um, ele é o que é, é o que pensa ser e é o que dizem dele.

:: O Mal não existe no ser em si, livre, em que sua liberdade não implica nenhuma relação de responsabilidade ou compromisso. O que há é a desordem com que o Mal se identifica, representada pela relação imprópria dos seres por se opor à realização da finalidade determinada pela natureza individual de cada ser. Natureza individual como conjunto de características do ser em si mesmo, donde emana uma finalidade que, realizada, constitui o Bem.

:: A Mente, como aura pessoal, são ondas do cérebro (estimulado, radiante), carregadas de espírito, este, a substância imperceptível, responsável pela consistência e sentido das coisas. O Coração (= alma) é a fonte de sentimento (= vibração não elaborada), que é encaminhado à Mente, onde nasce o pensamento (= impulso elaborado), encontrando-se aí na Mente, através da inteligência (que calcula), a razão (= relação verdadeira, verdade).

:: Ser e Existir. O Ser se expressa, deixa-se perceber como um Ente (= entidade); é, mas nunca está. Veicula-se na forma imanente (essência, substância). Identifica-se como auscultável, indescritível; evasivo às investigações comuns; fundamental e duradouro. Sua categoria ou status é o de Espírito. Comparando, para extrair a diferença, Existir se expressa, deixa-se perceber como Existente (= identidade); está, embora também seja. Veicula-se na forma de circunstância (acidente, acessório). Identifica-se como visível, mensurável; passível de ser qualificado; necessário e temporal. Sua categoria ou status é o de Matéria.

:: Estados do Espírito. ESPÍRITO (espírito absoluto), o Ser em si, simples, princípio vital abstrato, em relação independente e absoluta consigo mesmo, ao nível das últimas e radicais essências; ALMA (espírito comprometido), revestida do invólucro corpóreo com que se compõe, embora com ele se contraste é, ao nível do subjetivo, uma aproximação do Espírito (sentido anterior), que entra em relação com a Natureza; CONSCIÊNCIA (espírito judicioso) é, ao nível do saber real, o Espírito (sentido 1) presente, inscrito na sociedade e na história do homem; e, finalmente, VONTADE (espírito prático), subjetividade determinada por si mesma é, ao nível do impulso psíquico, o Espírito (sentido 1) potencializado e eficaz.

:: Quão alta a sensibilidade do Universo que nos circunda! (…) Mudaram eles, os nubentes, o cenário do mundo. Outro é o Universo! Até a mais longínqua estrela de remota galáxia do Cosmo infinito ‘sentiu’, tal a grandeza do ato, mais a troca de vibrações cósmicas no espaço familiar e sideral. Ela e ele já não são os mesmos no vasto palco do drama vital. Motivos bastantes para justificável júbilo e, não raro, zelo também.

:: Três instâncias de que compõe uma pessoa: SOMA (= corpo) é o centro ativo, intensivo e natural; PSIQUE (= alma) é o centro afetivo e sentimental; PNEUMA (= espírito) é o centro ativo, extensivo e transcendental.

Trajetória humana que oscila
Entre o ser, estar e ter.
Do ter ao estar e do estar ao ser.
É preciso vibrar numa esfera, nas duas ou três.
Primeiro, da primeira à última e vice-versa.
Outras vezes, entre uma e a outra.
E voltar às essências, achando-se.

Ter uma resistência de ferro;
Ser capaz de esforços hercúleos;
Ter uma paciência que o mantenha frio, racional;
Amar o descortino, nas faixas do infinito;
Não abusar da técnica, que segue e faz;
Nem privilegiar a ciência, que chega e nomeia.

:: Dobrar-se a outrem, muitas vezes, é questão de lucidez. Aceitar que outros possam nos criticar estará relacionado ao fato, puro e simples, de que ninguém é perfeito (perfeição é alvo) e sempre uns, pela diferença existente entre universos e oportunidades, sabem o que outros, eventualmente, não sabem.

Quisera, eu…
Quisera, sim, nunca me abater
Não me abaixar nem descer
Não me derribar nem me prostrar
Não me subestimar nem me submeter
Não me humilhar nem me rebaixar
Não me cortar nem cair
Para não me tornar…
Enfraquecido.
Desanimado, suplantado, arreado, agachado, isolado…
E enrustido.

Ainda que somente
Um soldado perante um exército
Uma vela contra a escuridão
Um grão de areia na praia
Uma gota d’água no oceano…
Assim, é a estrela que encanta. E faz
No grandioso Universo, a cintilante Galáxia.

:: Numa reunião, quando possível, é bom ouvirmos quem nos ataca. Talvez, com o ego devidamente massageado, emocionalmente satisfeito pela atenção e a oportunidade do desabafo, ele se desarma contra nós e se torna mais apto ao raciocínio lógico. No momento de acusá-lo, formular-lhe uma pergunta. Ele remeterá sua atenção à coisa (esquecendo um pouco as pessoas), tendo de argumentar, ligar causas a efeitos, arranjar pés e cabeças às suas conclusões e posições, sem tergiversar ou desconversar. Entra, aí, o convite ou o estímulo para pensar. E até repensar, se necessário. Finalmente, deve-se conduzir a um envolvimento das partes, fazendo desaparecer a sensação equivocada de divisão pelo sincero sentimento instalado da unidade, restabelecendo a harmonia dos opostos. É difícil, mas vale a pena tentar.

:: A cabeça está acima do coração. Logo, é bom dar voz e vez ao coração, agir pelo próprio, obviamente. Mas a cabeça está acima do peito, sinalizando a necessidade do domínio desta (a cabeça) sobre os sentimentos e impulsos nem sempre mais prudentes, justos e realistas daquele (o coração).

Trabalhar não só para ganhar dinheiro
E, conseqüentemente, sobreviver;
Mas, também para ganhar o Céu (?)
E, então, nunca morrer!

:: Não dá, não dá mesmo para adquirir tudo o que se deseja, ainda que interessante e necessário, na hora em que se quer. E, se nossos amigos, que têm o que não temos, não são capazes de entender e respeitar as nossas limitações, naturais e circunstanciais, então, não merecem, porque não agem como tais, o atributo de amigos.

:: Não é um vício, nem a razão nem a emoção, vicioso é o desequilíbrio entre elas, que requer, então, muito controle. A emoção, ou seja, a sensibilidade deve ser o colchão que alivia e conforta, na frieza e dureza da razão, que é básica e fundamental.

:: Nos debates e discussões, o erro mais comum acontece no diagnóstico e no equacionamento. Enquadram-se dois ou três termos da equação e já se admite, equivocadamente ou por imediatismo, estar de posse de todos os termos, obrigatórios e necessários, associáveis, para completar a sentença e a resolução do caso. E como grassa sempre uma confusão sistemática (sofismas com cara de silogismos), com a tolerância de uma crítica vesga que não promete, tão logo ou nunca, ter fim, continua a reinar, indesejavelmente, Sua Majestade, o Equívoco. Isso tudo porque falta conhecer melhor o exercício da dúvida. Sabendo, enfim, que o conhecimento, cujo primeiro argumento é a dúvida, só se alcança quando se sabe duvidar. E nós, quase sempre, quando não por pura ignorância ou consentimento, ainda pecamos pela credulidade (um excesso) ou pelo ceticismo (outro excesso).

:: Achamos que a atitude de gratidão é sempre melhor do que a de quem pede e que deveríamos viver, constantemente, em ESTADO DE GRAÇA. Agradecendo é que se obtém a graça de Deus. Pois, quem pede, permanece pequeno, negativamente tenso (com muitas sensações do tipo ‘será que…’), obstruindo, assim, os poros da Alma. A gratidão, ao contrário, engrandece, relaxa os tecidos da Alma, seus poros respiram livremente, produzindo, desta forma, um bem-estar que pode, biológica e universalmente, refletir-se, como é o esperado.

:: Na maturidade o homem deseja (marca natural, da criança); percebe (marca intelectual, do jovem) e tolera, isto é, sabe dar tempo, esperar, tem condições para a auto-renúncia (marca moral, do adulto). Eis, pois, o homem, pleno de si mesmo.

:: Tempo de reflexão e de profunda meditação, quando a inexorabilidade da morte nos faz pensar e falar muito a nós mesmos. Tempo que todos vivemos. Você, eu. Eu, no velório do amigo, no cortejo fúnebre e no definitivo encobrimento físico, sem expectativa de volta, na volta obrigatória ao pó… Primeiro, o CAIXÃO: Inerte, estático, a caminho da necrópole; Segundo, a VALA: O túmulo aberto expõe o apetite de eternos mistérios, nunca totalmente decifráveis; Terceiro, o ADEUS: Adeus. Eis que, engolido pela terra, mantos do Infinito cobrem-no, para sempre.

:: Atropelado e morto na Regis, ao pilotar sua bicicleta, RAFAEL, numa noite escura e pura:

Súbito, vejo-o sentado nu’a cadeira rodante
Em frio e rígido semblante a dispensar choro e riso
Ereta e cristalizada estátua viva de sal
Símbolo do essencial a madurar-me um juízo.

Seu olhar bem largo, abrangente, decisivo e fecundo
A lançar grito profundo, de silêncio embebido
Entre alegre e aflito eu vi seu rosto inteiro marcado
É de repente lembrado que ele tinha morrido!

Penso logo em suas fraturas. Decifrar. Socorrer…
Logo o enigma entender, no quieto ágil seu
Idioma puro e estéreo, de vidas imortais.

Inerte, a fitar cristais… Olho-o: ‘Você não morreu?’
Ao que ele, conforme ao código da Terra Natal
Falar espiritual: ‘Eu existo (sou)’, respondeu.

Lembro-me de ti, Rafael.
Quão rápido percorreste estreita clareira.
Mas, eu vi e guardei nitidamente teus traços.
Marcas indeléveis nutrem tua vida.
Animam tuas obras.
Regam tuas plantas.
Amadurecem teus frutos.
Germinam tuas sementes.
As sementes da paz.
Sementes da tua vigorosa virtude para que estas tenham sempre vida.
Ó, vós, sementes, que sereis plantas.
Ó, vós, plantas, que sereis frutos.
Ó, vós, frutos, que sereis novas sementes.
Sucessivas vidas, irrefreáveis vidas, vidas sem fim.
Vida eterna!

:: Era uma Idéia, foi uma Palavra, tornou-se uma Obra, virou uma História… História, um ‘sabe-se’, que é Palavra, um ‘vai ser’, vinda da Idéia, o ‘pode ser’, feita Obra, um ‘sendo, estando’… Aí, projeta-se para o Infinito, donde vem, onde permanece, aonde vai. Vem. Fica. E vai. Origem, endereço e destino, os mesmos. Ao Infinito, sempre preso, vinculado. E dEle não se escapa nunca, jamais!

:: Há uma contínua permanência de quem, aparentemente, já não está. Eternidade, não obstante, a morte. Na obra da existência, no curso da história de alguém, quer no feito ou no não-feito, é inevitável o prolongamento póstumo. A morte é impotente! Traz a desintegração biológica, mata, mas não mata a cadeia cósmica, sucessiva, muito mais forte do que um simples… Fenômeno natural, acidental, superficial.

:: O automóvel levava cinco passageiros, dois adultos e três crianças. Por infelicidade, colhido num cruzamento por um possante veículo a quase 200 Km/h, dirigido por um marginal em disparada fuga à perseguição policial, nós (eu), pelo choque e o estado de inconsciência sofridos, verdadeira ante-sala do outro mundo, experimentamos visões e sensações impressionantes, algumas das quais, assim registradas, definindo-se a MORTE, durante e/ou depois: 1. Estado de inconsciência, sem reversão ao estado de lucidez e do conhecimento; 2. Bloqueio ou cessação do estado biofísico de resistência e de compartilhamento, precário e circunstancial com o meio, do qual se nutre e se envenena; 3. Desligamento de todas as relações, vinculadas a tempo e espaço, produzindo uma indescritível sensação de total descomprometimento; 4. Túnel de luz, num subterrâneo de escuridão, como único e infinito substrato; 5. Raio de luz, como um produto do olhar, com cujos olhos, sem corpo, sem tempo e sem espaço, também não se compromete, deles a luz nada sabe, ou sabe e não diz; 6. Uma pequena mecha de luz e de identidade, como saldo e essência, mergulhados para sempre num confortável colchão de escuridão e de mistérios.

:: Ano Novo: Seja presente o almejado futuro; Refloresça o passado, que – como tal – dói; E esteja sempre presente o presente que mais desejas.

:: Nas núpcias de uma amiga: A união matrimonial só se dá e perdura, quando alimentada com muita razão, sem deixar de ser temperada com bastante coração.

:: Natal: Da mais pura sensibilidade abasteçam-se todos os corações e a Luz, que há de nascer e clarear caminhos, impere profundamente na inteligência de todos os homens.

“Que o nosso amor possa
Estender ramos por toda a parte
Capazes de refrigerar
Muitos corações com sua sombra
E produzir frutos para saciar
A fome de muitas almas…”
(Versos Meus do Convite Nupcial)

:: No Dia das Mães, o primeiro sem ela, o grito de um filho, ecoando no Alto. De dentro e para dentro, o soar da palavra MÃE, bem devagar e sem ferir. Não, gente, hoje é Dia da Mulher, a Magna Mulher. Nenhuma outra a suplantará, no sentido em que a entronizamos. Eu quero, com o fluido mental comum, no mesmo tom e na mesma direção, independente dos nossos diferentes credos e religiões, poder, nesta data, sintonizar-me com aquela imagem de santa da minha querida Mãe, que escolheu contra a minha vontade seguir para junto do meu Pai, que já tinha ido um pouco antes para plano superior. Com esta mensagem, a licença e carinho de Vocês, eu desejo e voto a todos os meus grandes amigos, algo que chamarei de a plenitude junto a suas Mães, como a plenitude e reciprocidade que vigoram entre mim e minha santa, nome dela, Zoraide.

:: Na cultura atual, freqüentemente, os filhos fazem o que seus pais pedem, quando o que os pais pedem é o que eles querem, com o risco de quando seus pais pedirem, em havendo coincidência de desejos, duvidarem ainda do que estão querendo. Será?!

:: Há fome de família. Onde a vejo, em toda a sua integridade? Família. Não apenas produto e receptáculo, mas perfeito útero e berço do amor. Do respeito, não do medo, o lugar. Chão fecundo do valor moral, quando não massificada, desumanizada, descaracterizada. Instituição que pode e deve ser verdadeiro alicerce, coluna e sustentáculo do complicadíssimo edifício social, a sempre desejável e sonhada macro-família. A minha, a sua, a nossa.

Ouçam-me, meu Pai e minha Mãe,
Ouçam (ou melhor, ouvi-me):
- “Sou, mãe (Deus a tenha), um verbo
Que se fez carne e habitou teu ventre!
E tu, pai (Deus o tenha), derramaste a gota,
Semeando a terra que me deu à luz”.

:: O que Deus une é inseparável ao homem! O casamento, quando há divórcio, não houve, totalmente. Teatralidade, talvez. Ou uma farsa, que é uma pena. Um equívoco ou a falta do cultivo, na hora certa, quem sabe? Ou, por último, da pronta manutenção, ao primeiro sinal de desgaste.

De tanto caminhar e de tanto ver
De tanto indagar e de tanto querer
De tanto passar e não parar de viver
Vi, quando nem mesmo olhava
E meus olhos mansamente flutuavam
Inesgotável horizonte a saber…
Um infinito, ao todo, inalcançável!
E, se meu futuro, o há de vir, é infinito
Igual natureza a meu pretérito.
Descobri-me mero ponto de referência
De uma incomensurável linha evolutiva
Na fronteira entre meu passado e meu futuro
A mim, rigorosamente, imprescindíveis.
Conforta-me, portanto, o Caminhar
Não ouso, jamais, o definitivo Chegar
Pois, o Chegar esgota o futuro
Que se apóia no passado
Eliminando a fronteira tênue
Em que reside minha identidade.
Minha memória, em todo o Cosmo de Deus
Seria apagada, deletada… E isto
Porque me quero, não posso querer!

:: Busca de Identidade. Ergo-me do mais profundo caos, estado de intensa confusão, relativizo-me para poder me encontrar, finalmente, sob a nostalgia do absoluto e independente, latente no sub-consciente humano, reconheço um ambiente maior, rota do Infinito, a caminho da imensidade obscura do Tempo:

Alguma pessoa
De alguma forma
Vinda de algum lugar
Rumo a algum ponto.
Mero caráter geométrico
Um ponto de referência
Simples endereço relativo
Com formas, lados e direções.
Incomodam-me as muralhas do restrito
Então, busco as portas e janelas
Rasgo as cortinas do exíguo
Mergulho-me no Universo.
Minúscula partícula
Rebento dos ventres celestes
Abriga-me o Infinito
Em que sempre serei.
Qual um viajante, transeunte eterno.
Uma volta. Outra volta. E não volto!
Caminha-se por mão única, irreversível
Por sobre a imensidade cinza do Tempo.

:: Amáveis os inimigos? Sim. Nenhum paradoxo, à vista. Ou seja, ninguém gostará do inimigo, mas poderá amá-lo, porque Amar é Serviço, gostar é Prazer. Eu amo a quem eu sirvo e gosto de quem ou do que me serve.

:: Amor: Uma opção consciente e responsável, como resposta ao instinto natural; um ganho indireto pela doação direta; relação de oposição e de complementaridade, estimulada por um e/ou outro ponto da intersecção; um atrito, necessário e salutar, da tese com a antítese (análise), rumo à síntese, desejada e desejável; um encontro de dois polos opostos, com uma resistência tal, de modo que do circuito completado, haja a geração de um bem; um dom, que vai por canais determinados e retorna, por vias desconhecidas; e, finalmente, uma busca da sensação de paz pela alegria da oferenda. Amar, enfim, é uma prática ou força típica, que gera uma órbita, na qual, um e outro passam, necessariamente, a gravitar.

:: Amor circulante. É circulante. Trajetória do Amor, no Sistema Circulatório Universal, dando-lhe uma conotação de plasma sangüíneo, invisível, pulsante: 1. Amor constrói, ainda que às vezes pareça, simplistamente, destruição ou demolição; 2. Amor semeia obras, no mais amplo e puro sentido da palavra, muito mais identificado com o espírito da justiça, que indiferencia do que com o espírito da bondade, que pode estar viciado pelos humores, sempre voláteis e casuais; 3. Amor fertiliza e fecunda laços existentes, ao invés de envenená-los, adoecê-los, colocá-los em risco, ou levá-los à morte por inanição ou agentes nocivos; 4. Amor, como força ou energia externa e penetrante, propriedade independente, funda, cria e expõe laços novos, não se limitando à mera manutenção do que construíra; 5. Amor reforça, ou seja, restaura, regenera e atualiza laços, eventualmente, enfraquecidos e debilitados, por menores que sejam as brechas ou chances encontradas. E faz tudo isso, só tem este poder e só alcança o seu fim, quando nós, os portadores em vigor dessa centelha expansiva, herdada pela nossa origem e natureza divina, tivermos um pleno conhecimento e total convicção de sermos Criaturas, logo, em íntima, estreita e despoluída relação com o nosso próprio vértice, Deus, o Criador, estendido.

:: De remotas regiões do infinito, eis que emerge em decidido fluir, um poder energético – Deus. Ele vai, de pouco em pouco, convertendo-se em Luz, condição para a Ordem, que é lugar para a Vida. Vida que se traduz na vida de Deus. A Vida é Deus! (Gên 1:1-31).

:: A fé é a certeza de um objetivo da alma. Uma imaginação intensa, que mobiliza a mente (através da ação do cérebro), para o seu próprio alcance.

:: Deus muito naturalmente. Deus é uma Lei (viva, vivificante), enquanto tensão ordenadora, que tende a produzir arranjos, a Ordem. Cria, recria, altera e transfere em escala infinita, nas formas micro e macroscópica:

Contorná-Lo, impossível!
Sempre incircunscrito…
Como, quando, onde?
Sei, somente, que é DEUS.
Não O circunscrevo, não, nem devo.
Tangencio-O, tão-somente.
Gravito em Sua órbita e me basta.
Da dinâmica divina, observamos o rio, as plantas, a rocha… Tudo em movimento. Sinal da vida presente em cada coisa, em cada ser. De um núcleo central ímpar tem-se a vida multi-nuclear, cujos núcleos são centros de gravitação individuais e à gravitação universal são pertinentes. Mecânica em que se vê, implícito (quase explícito):
– Um Deus profundo, o Deus Causal.

:: Deus em comunicação, Deus comunicado. A grandeza e a magnitude divinas são dignas do meu/nosso ato de louvor. Ao louvar as virtudes de Deus, revitaliza-se a natureza divina em mim (centro individual) e em nós (centros sociais). Do esforço expressivo (ritual, simbólico), donde emerge o Anúncio (a LITURGIA), animamo-nos ao desapego e desprendimento em prol do outro, o nosso centro. É o Serviço (a DIAKONIA) em que, fortalecidos, somos capazes de sacrifício e renúncia. Donde o Testemunho (a MARTIRIA). E, porque ou quando todos, livremente presos e solidamente integrados ao mesmo e igual Centro Divino, realiza-se, concretiza-se a Comunhão (a KOINONIA), simultaneamente instrumento e obra últimos. Obra, no sentido do resultado que busca e instrumento, como meio para ajudar a alcançá-lo.

:: Um breve discurso etimológico: Ele traz a idéia de BEM, BOM ou BELO, o prefixo Eu. Expressa o DOM ou a GRAÇA, FAVOR, o tema Caris. Lembra uma qualidade ou espécie abstrata, a AÇÃO, ESTADO ou EFEITO, o sufixo Ia. Daí, todos juntos, em comunhão, a Eu + Caris + (t)Ia, um Dom ou Bem, abstrato, mas real (quando se quer real).

Trindade, perfeita Trindade.
Deus. Uno (= coerente) e trino (= polivalente).
Mas, quando o PAI?
– Ao conceber e dar à luz a Existência.
E ao legislá-la e regê-la.
É a primeira Pessoa.
É Central e Remota.
Mas, quando o FILHO?
– Ao ‘descer’ e irmanar-se.
Ao tornar-se próximo, simples… E servo.
Na difícil conquista ao Pai.
É a segunda Pessoa.
É Mestra e Histórica.
Mas, quando o ESPÍRITO SANTO?
– Ao manifestar-se ‘sensivelmente’.
Ou como uma ‘luz’.
Ora mais sutil, ora mais ostensiva…
Ou como ‘companhia’ fiel.
Uma ‘presença’.
É a terceira Pessoa.
É Guia e Pessoal.

:: A grande sensação, divina sensação. Deus, em todo o Cosmo e em cada microcosmo, qual uma pitada de sal num copo dágua: quem experimenta, sente, mas quem apenas olha, não vê.

:: Somos vencedores no momento da inserção de Deus em nossa vida e em nossos atos. A ação salvífica será automática, consistindo na abertura das comportas e na liberação dos dons, definidos e indefinidos, guardados até então. A fé precisa ser grande, o suficiente para alterar nossas estruturas, no sentido da salvação que desejamos. Exemplo: – O Senhor É onde eu estou. Assim, tudo o que for meu por direito divino, seja, Senhor, encaminhado agora, em forte avalanche e grande abundância, de um modo inesperado e muito generoso. Porque o Senhor É onde eu estou…

:: Uma visão prática de Deus. Deus é luz que se acende para nos aquecer e iluminar. Faz parte de um circuito, Ele está no vértice do triângulo, cuja linha, se interrompida aqui na horizontal, não vai adiantar reclamar da eventual indiferença de Deus. Deus faz parte de um esquema, onde estamos nós e Ele, que não vai, isolado, fazer o que queremos, para não ferir a nossa dignidade de criatura dEle. Deus é verdade absoluta, não cometeria essa imprudência. O mal ou o bem que recebemos depende sempre da nossa atitude, boa ou má, certa ou errada em relação à Lei que rege ou governa esse Esquema. É nisso e assim que devemos pensar Deus. Uma figura, de certa forma, matemática e, por isso mesmo, não vai me perdoar, não, se eu tentar passar 2 + 2 como 5. Não creio, sequer, em um Deus misericordioso, capaz de perdoar até o assassino, frio e contumaz, mas, em um Deus justo, capaz de fazer outra coisa melhor para emendar criminoso, causas e conseqüências.

Diamante. E as mal-traçadas, das Chapadas…
Adentro-me chão baiano, em seu peito geográfico
Muitas dobras, acidentes… Bela paisagem diviso
O relevo degradado por agentes erosivos
Cordilheiras estendidas, às dezenas os matizes
Impressionantes escarpas, profundíssimos grotões
Correm rios subterrâneos, por dentro do subsolo
Vales úmidos e férteis, raro encanto do Sertão
Na amplitude da paisagem, agressivamente bela
Das águas de rio forte, que embora forte deixar
Nasce o sonho, por vezes, temerário
Do diamante – a preciosa – encontrar!

:: A astrologia é limitadora do homem, limita-o a uma constelação ou a um astro, perante um infinito de coisas influentes, que compõem e formam o Cosmo, do qual, todos fazemos parte. É determinista, situa o parto das coisas, pessoas e fatos como o começo de tudo, arbitram um começo nem sempre natural, como se natural fosse. E o parto nem é começo, nunca, é meio. E pode, ainda, ser administrado, isto é, antecipando-se ou retardando-se. Este tipo de parto como seria tratado?

:: A verdade e a mentira. A verdade alimenta, mesmo quando desagrada; a mentira, geralmente mata, mesmo quando agrada. A verdade existe para edificar, construir; a mentira tem a obrigação de ter sabor. A mentira caminha de passos largos; a verdade engatinha. A mentira, do conquistador, tem que ser doce; a verdade pode ser amarga. A verdade faz o outro saber; a mentira faz a vítima pensar que sabe. A verdade, embora oculta, é sempre precedente; a mentira infiltra-se, tirando-lhe a visibilidade e a eficácia. Ao mentiroso, é confortável: Bastam alguns ingredientes, superficiais; ao veraz, mais doloroso e caro: Tem que ser lógico e racional, na crítica e na autocrítica. A mentira é uma droga, atraente veneno; a verdade, um remédio, só para quem tem juízo. A mentira é uma caridade (= benefício particular) humana, que corrompe a justiça (= benefício geral) da verdade. E há quem prefira, desgraçadamente, a uma apetecente mentira à nutriente verdade.

:: Brasil, 2006. Uma síntese pós-reeleição, em cinco versos de cinco sílabas, a minha Quintilha:

De votos petistas,
Mais volta do tempo
O santo é de burro.
Do pó, mas, que lama…
Avessos, avessos!

:: O que é? É uma constatação de energias (no nível mental), com a canalização das vibrações projetadas pelo cérebro, na direção de objetivos imaginados, devendo ser de interesse comum e universal. Resposta: ORAÇÃO (muito profunda).

:: Prazer e alegria. PRAZER: Satisfação de um desejo, é exterior, material, acidental. Ele o faz sentir-se saciado, corporalmente bem confortável e com o ego em plumas. ALEGRIA: Satisfação de uma necessidade, é interior, espiritual, essencial. Ela o torna alegre, não necessariamente gargalhante, barulhento, provocador.

:: Riqueza é nobre e digna, quando isenta do clamor embutido de honestas vítimas, se serve para acentuar a noção de um débito social do seu titular e se o seu titular não domina-a como proprietário, porém, administra-a como bom mandatário, sabendo-se frágil, vulnerável e nada auto-suficiente. No exercício autêntico de um mandato e não de um detentor de uma propriedade, este rico não é rico-todo-poderoso, é, materialmente, pobre.

:: A teoria, base de princípios, pode na prática falhar, porque aquela (a teoria) tenta prever todas as nuances de um fato, padronizá-lo, dominá-lo, tornando-o inteiramente previsível. Porém, a realidade (natural), que ignora o desejo do teórico em limitá-la (para facilitar, quem sabe), segue livre (ou sujeita a fatores estranhos), consagrando e/ou desmentindo algumas formulações.

:: A função poética requer de quem escreve a capacidade de, tal qual um visionário, lançar luz sobre a dúvida humana, instilando, paradoxalmente, alguma dúvida, qual um eficiente motor da luz inequívoca.

:: Gosta-se de gostar do gostar seguro, sem riscos. Em havendo tal possibilidade, propiciam-se as oportunidades para o gosto progredir, manter-se ou regredir, dependentemente da administração (escolher, acelerar, frear) dos gostos, que vão acontecendo, manifestando-se. Mas o despertar do gostar, obviamente, requer o parar, olhar e chegar. Vamos chegar?

:: Numa verdadeira democracia há uma estimulante e complementadora convivência de adversários e não uma dolorosa, injustiçante e castrante coexistência entre inimigos.

No auge da crise. Versos livres, vigoroso poema.
Das lágrimas derramadas, lamentos dourados.
Muro, úmido de lágrimas, por que choro?! Por quê?…
Muro, onde me prostro e deito-te tantas lágrimas
Será que ao menos tu, que a ninguém te curva, irás me entender?
Eis que, a cada coisa que desarruma, suas disfunções agridem-me
E mesmo que eu não olhe não posso deixar de ver
E mesmo que eu não queira não posso deixar de ter…
Eis que, a cada sujeira que aparece, em meus espaços obrigatórios
E eu não posso e ninguém pode correr e remover
E mesmo que eu não queira não posso deixar de ver…
Eis que, a cada coisa que cheira mal e faz nosso ar inapropriado
E eu não posso e ninguém pode o odor ou veneno retirar
E mesmo que eu não queira este ar não posso deixar de respirar…
E, porque inserido nisso tudo, inevitável e fatalmente
Como parte integrante, integro-o e me incorporo, não posso ignorar
Mais o nosso ego, auto-estima pessoal, nosso salutar amor próprio
É comprimido, reduzido, quando não suprimido, anulando-nos
Conseqüentemente, tornando-nos impróprio ao próprio consumo
E em menores, maiores ou iguais proporções, com nossos circunstantes
Podendo repercutir e multiplicar, aqui e ali, os danos e estragos
Caso não se lhe ponha fim e o torne administrável.
E lá vamos nós, todos, no mesmo barco capenga, claudicante
Atores, autores, sujeitos e cúmplices, agentes, pacientes
Indiferentes, até o fim dos séculos, ele, você, eu?!…


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