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Voto Distrital

"Como honrar à altura
o Corpo Humano:
associando-o a Deus
e à Natureza!"

(Jhosa)

[Contra-Capa]

SINOPSE DO CONTO

Elaborado p/ uso próprio quando do início da Faculdade de Letras.
Por: Joseh Pereira, Ano Básico, 1977


Estrutura Básica do Conto:
1. PRÓLOGO:
    1.1 – Antes do Enredo, Opcional
2. ENREDO (Propriamente Dito):
    2.1 – Causas:
            2.1.1 – Início Dramático
    2.2 – Desarranjos:
            2.1.2 – Desenvolvimento ou Curso Dramático
    2.3 – Acomodação Final
3. EPÍLOGO:
    3.1 – Após o Enredo, Opcional


Esquema Analítico do Conto:
1. A Palavra
    A) Sentido: caso, relato, narrativa, com a função de enumerar fatos ou detalhes, vinculando vários episódios que compõem uma intriga, i.é, uma situação dramática, conflituosa.
    B) “Conto: cadeia de detalhes, com desenlace dramático, caso”.
2. Histórico
    A) Tipicamente literário, talvez, em Caim e Abel, o primeiro exemplar de conto, milhares de anos a.C., tendendo, às vezes, em suas vicissitudes históricas, à crônica e ao poema em prosa.
    B) “Conto: já esteve próximo da crônica e do poema em prosa”.
3. Conceito e Estrutura:
    A) Conto, matriz da novela e do romance, apenas do prisma histórico e essencial: não são reversíveis, de uma a outra forma narrativa.
    B) “Conto, matriz da novela e do romance, mas, conto é conto, novela é novela e romance é romance”.
    3.1 – Unidades (Dramáticas) de:
            3.1.1 – Ação
    A) Enredo [atos, ações, acontecimentos], no conto, circunscrito [rejeita digressões e extrapolações]: célula dramática.
    B) “O enredo, no conto, rejeita qualquer digressão ou extrapolação”.
            3.1.2 – Espaço
    A) Espaço: restrito, palco estreito em que ocorre a ação dramática [sem nenhum ou grandes deslocamentos, prejudiciais à intensidade dramática].
    B) “Deslocamentos espaciais quebram a intensidade dramática”.
            3.1.3 – Tempo
    A) Tempo: curto, breve e limitado, enquanto dura ou prepara a ação [passado e futuro, sinteticamente].
    B) “Tempo: o suficiente para ‘situar’ o drama; sem passado nem futuro”.
            3.1.4 – Tom
    A) No conto, tom: harmonia estrutural entre as partes da narrativa, por sua unidade de objetivo rumo à unidade de impressão.
    B) “Do arranjo estrutural, a unidade de objetivo rumo à unidade de impressão”.
    3.2 – Personagem
    A) Por exigência das unidades de ação, tempo, espaço e tom: número reduzido de personagens, tendentes à forma plana e estática, sem maior complexidade de caráter e pouca flexibilidade evolutiva.
    B) “Poucas personagens, de caráter simples e pouco evolutivas”.
    3.3 – Estrutura
    A) Estruturalmente [o conto]: objetivo, horizontal; breve história que é, nele as palavras hão de ser suficientes e necessárias; dado imaginativo subposto a dado observado; donde o realismo, a verossimilhança com a vida.
    B) “Breve história: as palavras hão de ser suficientes e necessárias, não mais nem menos, com dado imaginativo sub-posto e verossímil”.
    3.4 – Linguagem:
    A) Objetiva, admitidas metáforas de curto espectro, a linguagem, no conto: despida de abstração, solenidade e esoterismo [antes da intenção, a ação; da prolixidade, a concisão].
    B) “Quando metáforas, de fácil alcance; linguagem sem qualquer abstração, solenidade e esoterismo”.
            3.4.1 – Diálogo Direto
    A) Base expressiva do conto, o diálogo; primeiro, o diálogo direto: fala direta das personagens, representada, na escrita, por travessão ou aspas [predominante, no conto].
    B) “Dos diálogos, base expressiva do conto, preferir o direto, com uso equilibrado possível do indireto, indireto livre e interior”.
            3.4.2 – Diálogo Indireto
    A) Diálogo indireto: resumo, em forma narrativa, da fala das personagens [secundário; quando não vale a pena a transcrição direta].
            3.4.3 – Diálogo Indireto Livre
    A) Diálogo indireto livre: discreta inserção, no discurso indireto, da fala ou fragmentos da personagem [pouco freqüente, no conto].
            3.4.4 – Diálogo Interior ou Monólogo
    A) Diálogo interior [monólogo]: fala da personagem consigo mesma [estruturalmente perfeito, no conto; raro, formal, complexo].
            3.4.5 – Narração
    A) Narração [quase ausente, no conto]: relata acontecimentos ou fatos [a ação, o movimento e o transcorrer do tempo].
    B) “No conto: Narração, nas sínteses; descrição, ligeira, s/retrato acabado e dissertação, discretíssima”.
            3.4.6 – Descrição
    A) Sem a preocupação, no conto, com o retrato acabado, a descrição caracteriza, tipifica um objeto ou personagem, em sua imobilidade no tempo e no espaço [ligeiramente].
            3.4.7 – Dissertação
    A) Como ‘exposição de idéias e pensamentos’ no conto a dissertação, apenas em doses homeopáticas, ou implícitas e fundidas nos demais recursos de linguagem.
    3.5 – Trama ou Enredo
    A) Trama [intriga, enredo]: ritmo linear, objetivo e natural da sucessão de fatos, carregado [ou carregando-se, pouco a pouco] de um enigma, mistério ou nó dramático; jogo narrativo ou fio condutor rumo ao desenlace do enigma, à precipitação do clímax dramático, com a surpresa ante à ‘novidade’ desentranhada, a semente de meditação e o pasmo.
    B) “Dirigir a trama rumo a um clímax, donde a supresa pela ‘novidade’ desentranhada, a semente de meditação e o pasmo”.
    3.6 – Pontos de Vista ou Focos Narrativos
    A) Focos narrativos: 1o.) ESCRITOR/NARRADOR ONISCIENTE [narrador "vê" e "sabe" tudo; distância escritor-narrador diminuída ao extremo, quase uma fusão, enquanto a distância narrador-história, aumentada ao extremo]. 2o.) PRIMEIRA PESSOA NARRATIVA [horizonte narrativo limitado pela unilateralidade da visão, compensado com a verossimilhança e intensidade dramática maiores]: a) Personagem Central [distância máxima do escritor; a protagonista narra sua história, reportando-se às demais personagens na medida de sua participação]; b) Personagem Secundária [fora do núcleo dramático; menor a distância ao autor e maior em relação ao leitor, a personagem narrra uma história da qual é figurante]; c) Narrador Observador ou Testemunha [mais perto do autor e mais longe do leitor, e também da história, a testemunha narra como simples espectador]; narrador ingênuo: quando não compreende claramente o que presencia. 3o.) TERCEIRA PESSOA NARRATIVA [bem próxima da onisciência, uma espécie de disfarce do autor; este, sem a exclusão do privilégio de enquadrar a história em sua óptica pessoal, delega-lhe poderes para narrar]: é Protagonista, Personagem Secundária ou Observador.
    B) “Dos focos narrativos, de cada um, há vantagens e desvantagens; e a narração é mais direta, ‘viva’ e ‘presente’ quanto menor a distância psicológica entre narrador e história narrada, o contrário, ganha em detalhes, perdendo em intensidade”.
    3.7 – Presentividade
    A) A primeira pessoa ajuda a unidade da narrativa, concentra seus efeitos, torna mais plausíveis e ‘presentes’ os fatos narrados, mesmo com os verbos no pretérito [presentividade: um requisito essencial à realização do conto].
    3.8 – Tipos de Conto:
    A) Prevalência de um ou outro componente, em um e outro conto: tipos de conto.
    B) “Dos tipos de conto, há os mais nítidos, outros, mesclados; mais freqüentes, os de idéias”.
            3.8.1 – De Ação
    A) Menos importante, porém, mais freqüente, destinado ao gozo lúdico e de fuga, e tendo como exemplos os contos policiais e de mistérios, conto de ação: narrativa para entreter e divertir, dentro de sua escala aventuresca e fantástica.
            3.8.2 – De Personagem
    A) Sendo o conto narrativa de pouco espaço à descrição, conto de personagem, centrado no caráter ‘vivo’ da personagem, é menos comum [Ex.: "Feliz Aniversário", Clarisse Lispector].
            3.8.3 – De Ambiente ou Atmosfera
    A) Conto de cenário ou atmosfera: tônica dramática transferida ao cenário; ambiente, quase herói do conto [raro].
            3.8.4 – De Idéia
    A) Sem a intenção doutrinária de um panfleto, o ‘conteúdo ideológico’ do conto de idéia emerge, sempre identificado com a ação e personagens, às vezes convertidas em símbolos, por sua função de expressar tal conteúdo [é freqüente, importante].
            3.8.5 – De Emoção
    A) Mesclado, às vezes, ao de idéia, outras vezes ao de cenário, conto de emoção: apropriado à comunicação de climas de mistério ou de medo, tudo, na narrativa, objetiva um efeito emocional profundo, resistente, mesmo, ao exame racional.
    3.9 – Começo e Epílogo
    A) Começo ["canto da sereia", síntese dramática, chama que atrai e seduz], mais exigente que o epílogo do conto [clímax da história, em geral, enigmático, surpreendente, imprevisível, abruptamente revelado], com raízes no começo, próximo, no conto, do fim [contos há sem final enigmático: enigma diluído ao longo da narrativa].
    B) “O sucesso do conto está mais em seu ‘canto da sereia’ inicial que em seu epílogo”.
4. Conto, a Poesia e o Teatro
    A) Tensão poética do conto: Na sensibilidade e imaginação de contista e leitor de conto; parentesco com o teatro: privilegiam o diálogo, encenam dramas, com personagens que palpitam e vibram diretamente com o público, em espaço e tempo limitados.
    B) “No conto: Sensibilidade e imaginação poéticas, com personagens que palpitam e vibram teatralmente”.


BIBLIOGRAFIA CONSULTADA – Créditos:


    1) “A Criação Literária”
        Massuad Moisés
        Melhoramentos / USP
        São Paulo, 1975


    2) “Dicionário de Termos Literários”
        Massuad Moisés
        Cultrix / USP
        São Paulo, 1974

Este trabalho foi utilizado p/ Prof. Wagner Lemos – UFS:
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